A inserção da psicologia nos campos de atuação hospitalar ainda se compreende de forma recente e sua participação em um sistema interdisciplinar junto à equipe de profissionais da saúde é uma realidade pouco presente. Em se tratando de psicologia hospitalar no Brasil, o que se nota é que por estes profissionais não terem modelos para atuação nesse campo, uma boa parte deles passaram a reproduzir suas praticas de consultório psicológico na sua atividade no hospital. Sendo assim, percebeu-se que o uso da pratica clinica não correspondia aos interesses voltados ao paciente, família e equipe médica. Desta maneira, foi preciso ressignificar o papel do psicólogo no manejo de suas funções, para que assim possa se adequar ao contexto hospitalar buscando maior eficiência nos resultados (GORAYEB, 2001).
Um fator importante ao diferenciar a atuação da pratica clinica e hospitalar de um psicólogo, é que o paciente não procura espontaneamente o profissional. Este por sua vez é quem se dirige até o paciente para oferecer o serviço de psicologia. A criação deste espaço proporciona ao paciente: acolhimento, apoio, esclarecimentos e informações à medida que surgem dúvidas, dentre outras possibilidades que proporcionam ao paciente fazer a travessia desse processo de adoecimento independentemente da fase em que se encontra, seja no diagnóstico, tratamento, cura ou terminalidade. Contudo, o psicólogo inserido no ambiente hospitalar tem um papel crucial para a harmonia da equipe e para a saúde do paciente visando sua totalidade, de forma geral, o trabalho do psicólogo no hospital consiste inicialmente na procura do paciente realizando o primeiro contato. A empatia, a escuta acolhedora na comunicação verbal e não verbal, o contato discreto, e cuidadosamente não invasivo possibilita ao psicólogo conhecer a história de vida do paciente e também os motivos que o levaram a estar ali, ou seja, a história do adoecimento. Deve-se nesse primeiro encontro com o paciente clarificar sobre o contrato, onde nesse é definido os dias de atendimento, o trabalho a ser realizado, não esquecendo de que por se tratar de um ambiente bastante dinâmico, os atendimentos devem ter inicio meio e fim a cada sessão. Após criar-se um vínculo com o paciente, a atuação mais específica ao psicólogo é lidar nas sessões com os sentimentos, medos, desejos, emoções que despertam nesse paciente devido à situação de adoecimento somando a vivência em um ambiente diferente do que era acostumado. A doença e a hospitalização interferem de maneira negativa ao paciente, que muitas vezes perdem sua autonomia e independência. Sendo assim, diversas reações psicológicas podem estar presentes nesse momento como: ansiedade, medo, insegurança, depressão, estresse, entre outras; solucionáveis mediante ação do psicólogo.
Segundo Pessini e Bertachini (2004), citados por Mota et al. (2006):
A contribuição da Psicologia no contexto da saúde, notadamente no âmbito hospitalar, foi de extrema importância nestes últimos anos para resgatar o ser humano para além de sua dimensão físico-biológica e situá-lo num contexto maior de sentido e significado nas suas dimensões psíquica, social e espiritual.Dessa forma, o profissional da psicologia considera o paciente como único em suas condições pessoais, caracterizado por uma bagagem de vivencias, com seus direitos humanos definidos e respeitados. Nessa perspectiva, pode-se notar que o psicólogo traz um olhar humanizado ao lidar com o paciente, procurando compreender assim os significados atribuídos pelo mesmo sobre sua historia, adoecimento, e trabalhar temas opostos como vida e morte, apego e desapego, aceitação e resignação, amor e ódio, alívio e dor, etc. A atuação do psicólogo não se prende apenas a observação, empatia e escuta com o paciente. Deve-se desenvolver um protocolo de avaliação do paciente para que nesta guia, seja realizado o exame psíquico do paciente e as intervenções realizadas em cada dia de atendimento, assim como especificar o serviço de psicologia e a evolução do paciente para que outros profissionais da saúde possam entrar em contato com esses dados e assim, possibilitar maior eficiência aos cuidados necessários dos pacientes.A família também participa do processo de adoecimento do paciente, onde estes entes próximos sofrem com a conclusão de um diagnostico clínico grave. Concomitantemente, o ambiente hospitalar também pode causar reações psicológicas nos familiares como ansiedade, medo de perder o ente querido, insegurança, sentimento de impotência perante a evolução do quadro clinico e até vivenciar a morte do paciente no hospital.
A família, assim como o paciente, vivencia uma gama de sentimentos, especialmente a angústia, a ansiedade e a culpa. A presença ou ausência de culpa determina a qualidade da relação com o doente e com a equipe. Maneiras hostis, superccuidadosas, pouco consistentes no relacionamento serão evidenciadas nesta fase tão difícil e conflitante. A estrutura familiar desestabiliza com o adoecimento de um membro e até que a reorganização de papéis seja plena, leva tempo. Contudo, o psicólogo também tem a função de atuar com a família no oferecimento de intervenções além do acolhimento e suporte psicológico frente ao processo de adoecimento de um ente querido (KNOBEL, 2008; VENÂNCIO, 2004; CARVALHO, 2002).
O fazer do psicólogo pode ser ampliado à atenção junto à equipe de profissionais da saúde envolvidos no hospital. O que se percebe é que todos os dias esses profissionais vivenciam casos de morte no hospital. Esse fator pode contribuir no impacto emocional gerando adoecimento psíquico, sobrecarga emocional e até a necessidade de uma intervenção específica para minimização das conseqüências. Portanto, é importante que estes profissionais estejam preparados para a demanda hospitalar onde a psicologia pode contribuir através de constantes intervenções com a equipe, onde o profissional de psicologia nesse caso pode atuar com a promoção de formas de enfrentamento mais adequadas, seja no cuidado diário ao paciente e suas famílias até situação de maior gravidade (KNOBEL, 2008).

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